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Mostrando postagens com marcador Séneca. Mostrar todas as postagens
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27 agosto 2009

A Embriaguez também é Necessária

Às vezes também é preciso chegar até a embriaguez,
não para que ela nos trague, mas para que nos acalme:
pois ela dissipa as preocupações, revolve até o mais fundo da alma e a cura da tristeza assim como de certas enfermidades.
E Líber foi chamado o inventor do vinho não porque solta a língua, mas sim porque liberta a alma da escravidão das inquietações;
restabelece-a, fortalece-a e fá-la mais audaz para todos os esforços.
Mas, como na liberdade, também no vinho é salutar a moderação.
Crê-se que Sólon e Arcésilas eram dados ao vinho;
a Catão, reprovou-se-lhe a embriaguez:
mais facilmente se fará honesto esse crime do que Catão desonroso.

01 junho 2009

A Justiça em Estado Puro

Quero que me ensinem também o valor sagrado da justiça
da justiça que apenas tem em vista o bem dos outros,
e para si mesma nada reclama senão o direito de ser posta em prática.
A justiça nada tem a ver com a ambição ou a cobiça da fama,
apenas pretende merecer aos seus próprios olhos.
Acima de tudo, cada um de nós deve convencer-se de que temos de ser justos sem buscar recompensa.
Mais ainda: cada um de nós deve convencer-se de que por esta inestimável virtude devemos estar prontos a arriscar a vida, abstendo-nos o mais possível de quaisquer considerações de comodidade pessoal.
Não há que pensar qual virá a ser o prémio de um ato justo; o maior prêmio está no fato de ele ser praticado. Mete também na tua ideia aquilo que há pouco te dizia: não interessa para nada saber quantas pessoas estão a par do teu espírito de justiça.
Fazer publicidade da nossa virtude significa que nos preocupamos com a fama, e não com a virtude em si.
Não queres ser justo sem gozares da fama de o ser ?
Pois fica sabendo: muitas vezes não poderás ser justo sem que façam mau juízo de ti!
Em tal circunstância, se te comportares como sábio, até sentirás prazer em ser mal julgado por uma causa nobre!

Séneca

20 maio 2009

A SABEDORIA E A ALEGRIA

Vou ensinar-te agora o modo de entenderes que não és ainda um sábio.
O sábio autêntico vive em plena alegria, contente, tranquilo, imperturbável; vive em pé de igualdade com os deuses.
Analisa-te então a ti próprio: se nunca te sentes triste, se nenhuma esperança te aflige o ânimo na expectativa do futuro, se dia e noite a tua alma se mantém igual a si mesma, isto é, plena de elevação e contente de si própria, então conseguiste atingir o máximo bem possível ao homem! Mas se, em toda a parte e sob todas as formas, não buscas senão o prazer, fica sabendo que tão longe estás da sabedoria como da alegria verdadeira.
Pretendes obter a alegria, mas falharás o alvo se pensas vir a alcançá-la por meio das riquezas ou das honras, pois isso será o mesmo que tentar encontrar a alegria no meio da angústia; riquezas e honras, que buscas como se fossem fontes de satisfação e prazer, são apenas motivos para futuras dores.
Toda a gente, repito, tende para um objetivo: a alegria, mas ignora o meio de conseguir uma alegria duradoura e profunda. Uns procuram-na nos banquetes, na libertinagem; outros, na satisfação das ambições, na multidão assídua dos clientes; outros, na posse de uma amante; outros, enfim, na inútil vanglória dos estudos liberais e de um culto improfícuo das letras.
Toda esta gente se deixa iludir pelo que não passa de falaccioso e breve contentamento, tal como a embriaguez, que paga pela louca satisfação de um momento o tédio de horas infindáveis, tal como os aplausos de uma multidão entusiasmada - aplausos que se ganham e se pagam à custa de enormes angústias!
Pensa bem, portanto, no que te digo: o resultado da sabedoria é a obtenção de uma alegria inalterável.
A alma do sábio é semelhante à do mundo supralunar: uma perpétua serenidade.
Aqui tens mais um motivo para desejares a sabedoria: alcançar um estado a que nunca falta a alegria.
Uma alegria assim só pode provir da consciência das próprias virtudes: apenas o homem forte, o homem justo, o homem moderado pode ter alegria.

Séneca